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Memória da água

Estudo realizado na Europa reabre debate científico sobre a eficácia da homeopatia, terapia criticada pelos pesquisadores ortodoxos por se basear no poder curativo de soluções ultradiluídas

Álvaro Pereira Júnior

de San Francisco

Uma pesquisa internacional, envolvendo cinco universidades européias, chegou a resultados que podem trazer, pela primeira vez, base científica à homeopatia. "Detectamos efeitos que não podem se explicados pela farmacologia tradicional", disse à Folha Madeleine Ennis, professora da Queen's University, em Belfast, Irlanda do Norte, uma das chefes da experiência. O trabalho acaba de ser publicado na revista científica "Inflammation Research". Ennis, uma especialista em asma infantil, decidiu participar do trabalho "por hobby" e, admite, o fez com um viés anti-homeopatia. "Eu sempre dizia que homeopatia era baboseira. Mas os resultados que acabei encontrando, positivos, não foram exatamente os que eu esperava." A coordenação geral da pesquisa foi de Marcel Roberfroid, da Universidade Católica de Louvain, Bélgica. Ele trabalha com nutrição e as chamadas medicinas complementares. A pesquisa traz a homeopatia de volta ao escrutínio da chamada ciência ortodoxa, o que não acontecia desde 1988.

Naquele ano, o farmacologista francês Jacques Benveniste e a revista científica britânica "Nature" envolveram-se numa polêmica feroz, quando Benveniste também alegou ter descoberto o princípio da homeopatia. A "Nature" publicou o artigo, mas depois mandou uma equipe investigar o laboratório do francês, chegando a conclusões devastadoras (leia texto à dir.). O trabalho agora divulgado é muito mais rigoroso e seus autores seguiram um caminho mais discreto, publicando numa revista de menor alcance do que a "Nature". Mas isso vai mudar. "Estamos escrevendo um novo artigo, que vai condensar resultados parecidos, que publicamos em 1999, com os de agora. E esse deve sair numa revista científica de primeira linha." A "Nature", talvez? "Não, acho que eles não iriam se interessar", disse Ennis, rindo muito.

Critérios estritos

A "Inflammation Research", onde saiu o trabalho recente, é menos conhecida, mas segue critérios estritos. Os trabalhos, antes da publicação, são avaliados por outros pesquisadores, e a revista é indexada pelo Institute for Scientific Information (ISI), organização que mede o impacto de

artigos científicos. Os quatro laboratórios que fizeram as medições tinham históricos diferentes. O de Ennis, como ela diz, é "anti-homeopatia", mesma atitude do grupo da Universidade de Florença, Itália. O de Utrecht,Holanda, estuda homeopatia há anos, com resultados positivos e negativos. E o quarto, de Paris, além de pró-homeopatia, inclui ex-colaboradores de Jacques Benveniste. A experiência da equipe pan-européia buscou testar um dos pilares da homeopatia: o de que as soluções ultradiluídas é que são as mais eficazes no combate às doenças. A ciência estabelecida não aceita isso, porque, argumenta, as diluições homeopáticas sucessivas são tantas que, no

momento em que o remédio fica pronto, não restaria mais nada da substância ativa. Muitos homeopatas admitem que as substâncias ativas desaparecem mesmo, mas alegam que, de algum modo, a água em que elas foram diluídas as guarda "na memória", e que por isso os remédios homeopáticos seriam eficazes. Já para a medicina tradicional, tudo não passa de sugestão (o chamado efeito placebo) ou de situações em que a doença iria embora com ou sem tratamento homeopático. A homeopatia foi criada no fim do século 18 pelo médico e tradutor alemão Samuel Hahnemman (1755-1843). Era uma reação radical às práticas rudes -sangrias, por exemplo- dominantes na medicina da época. Mais de 200 anos depois, a homeopatia ainda se sustenta unicamente em relatos de médicos e pacientes que dizem que ela funciona. Mas, por que funciona -se é que isso é verdade-, ninguém sabe.

Histamina e basófilos

Na experiência recém-publicada, a equipe de Ennis trabalhou com uma substância fabricada naturalmente pelo organismo, a histamina, e com o efeito que a histamina provoca quando posta em contato com certos glóbulos brancos, chamados basófilos. Histamina e basófilos estão envolvidos em alergias e inflamações. Os basófilos produzem histamina, que, a partir de uma determinada concentração, passa a inibir sua própria produção. Os cientistas prepararam soluções ultradiluídas de histamina (diluídas a ponto de não haver mais histamina na mistura) e outras que só continham água.

Puseram histamina e água, separadamente, em contato com os basófilos. O senso comum indicava que o efeito seria nulo em todos os casos, já que a histamina era tão infinitamente diluída que só restava água na mistura.

Mas não foi o que aconteceu. Dos quatro laboratórios que fizeram a comparação, em três a histamina diluída teve efeito sobre os basófilos -e a água "pura" não fez nada. No quarto laboratório, o efeito também foi detectado, mas os números ficaram um pouco abaixo do que seria estatisticamente relevante.

Total de medições: 3.674.

Que mecanismo estaria em ação? A ciência ainda não sabe. Ennis evita o discurso quase místico -que fala em "energia" e "forças espirituais"- de muitos defensores da homeopatia. "Como cientista, cabe a mim procurar uma explicação racional para o fenômeno." Ela diz que, ao contrário de Benveniste em 1988, não tem "nenhuma teoria fantástica" para explicar os resultados. "Sou diferente de Benveniste. Não sou capaz de sair pulando por aí, dizendo que encontrei a verdade."

O caso Benveniste

de San Francisco

A edição de 30 de outubro de 1988 da revista científica "Nature" trazia um artigo inusitado do cientista francês Jacques Benveniste. Ele dizia ter encontrado a base farmacológica da homeopatia, algo que chamou de memória da água".

É por isso, teorizava, que os remédios homeopáticos fariam efeito, apesar de

serem tão diluídos. De algum modo, para Benveniste, a água seria capaz de "se lembrar" do que fora dissolvido nela, mantendo as propriedades terapêuticas da substância original.

A "Nature" tinha feito um acordo com Benveniste: depois da publicação, ele deixaria uma equipe da revista examinar seu laboratório. Os investigadores eram o próprio editor-chefe da revista na época, John Maddox, um especialista em fraudes científicas, Walter Stewart, e o mágico norte-americano James Randi, líder de uma associação de céticos.

Sob a vigilância do trio, os franceses foram desafiados a repetir a experiência (que também envolvia basófilos, como o trabalho pan-europeu recém-publicado). Pela primeira vez na história do laboratório, os resultados foram negativos. Logo depois, a "Nature" publicou um artigo ridicularizando Benveniste (já no título, fazia um trocadilho como "dilution", diluição, e "delusion", alucinação).

Benveniste perdeu todo financiamento público e teve fechado seu laboratório, no prestigiado Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França.

Hoje, tratado como um "outsider" pelos cientistas, o francês segue uma linha de pesquisa ainda mais inusitada. Diz ter descoberto a origem magnética da tal memória da água e conseguido transformá-la em sinais digitais. (APJ)

 

 

 

 

 

 

> > Original Message -----

> > From: Marcos Dias de Moraes <marcosdias@geocities.com>

> > To: <profissionaishomeopatas@yahoogroups.com>;

<medlista_amhb@egroups.com>

> > Sent: Sunday, August 19, 2001 11:50 AM

> > Subject: RE: [profissionaishomeopatas] Memória da água

> >

> > Está no endereço...

> > http://www.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1908200101.htm

> >

> > Marcos Dias

> > -----Original Message-----

> > From: Fabio Villaça [mailto:frvj@terra.com.br]

> > Sent: domingo, 19 de agosto de 2001 11:38

> > To: medlista_amhb@egroups.com; profissionaishomeopatas@yahoogroups.com

> > Subject: [profissionaishomeopatas] Memória da água

> > Aos amigos listantes.

> > No caderno Mais! da Folha de São Paulo de hoje (domingo) saiu uma

> > reportagem sobre trabalho multicêntrico realizado na Europa no qual se

> > "comprova" o efeito da histamina dinamizada sobre basófilos. Refere-se

> > também ao caso Benveniste e a Nature (1988).

> > Talvez se excitem alguns "sabatinis" de plantão!

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> > Abraços.

> > Fabio Villaça.

> >