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Histórico
e situação atual.
Comissão de Saúde Pública
Associação Médica Homeopática Brasileira
1) HISTÓRICO
A Homeopatia é um sistema terapêutico que tem como base o princípio da semelhança,
enunciado por Hipócrates no século IV a.C e desenvolvido por Samuel Hahnemann no século
XVIII. Após extensos estudos e reflexões baseados na observação clínica e em
experimentos realizados na época, Hahnemann sistematizou os princípios filosóficos e
doutrinários da Homeopatia em suas obras Organon da Arte de Curar e Doenças Crônicas. A
partir daí, essa racionalidade médica experimentou grande expansão por várias regiões
do mundo, estando hoje firmemente implantada em diversos países da Europa, das Américas
e da Ásia.
No Brasil, a Homeopatia foi introduzida por Benoit Mure em 1840, tornando-se rapidamente,
uma nova opção de tratamento, para grandes parcelas da população, ao da medicina
oficial da época.
Até as primeiras décadas do século XX, verificou-se um grande crescimento da
Homeopatia, e a partir de então, durante aproximadamente cinco décadas, a medicina
homeopática passou por um período de declínio e retração em nível mundial motivado,
entre outros fatores, pelo advento da era pasteuriana na medicina.
Na década de 70 inicia-se um novo movimento de expansão da Homeopatia no mundo, em
consonância com o crescimento dos questionamentos a respeito do paradigma biomecânico
que embasa a medicina oficial vigente e com a insatisfação de parcelas importantes da
população com a forma de organização da atenção médica, cada vez mais fragmentada
no seu corpo e baseada em tecnologias de alto custo e pouco acessíveis à população em
geral.
Em 1977, a Assembléia Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a
implantação e a utilização das práticas não- convencionais de saúde em todos os
países até o ano 2000.
Em 1979 a Homeopatia é reconhecida como especialidade médica pela Associação Médica
Brasileira (AMB) e é fundada a Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB).
Em 1980, o Conselho Federal de Medicina (CFM), reconhece a homeopatia como especialidade
médica. Em 1985 é celebrado um convênio plurinstitucional entre o INAMPS, a FIOCRUZ, a
UERJ e o Instituto Hahnemanniano Brasileiro (IHB), que representou o início da
institucionalização da terapêutica homeopática nos serviços da rede pública de
saúde.
A partir da década de 80, vários estados e municípios brasileiros começaram a oferecer
o atendimento homeopático como especialidade médica aos usuários dos serviços
públicos de saúde, sendo que alguns destes criaram quadros de médicos homeopatas e
realizaram concursos públicos.
Em 1986 as resoluções finais da 8° Conferência Nacional de Saúde recomendam a
introdução de práticas alternativas, entre as quais a homeopatia, na rede pública de
atendimento. Em 1988, a Comissão Interministerial de Planejamento e Coordenação
(CIPLAN), composta pelos Ministérios da Saúde, da Educação, da Previdência Social, do
Trabalho e Planejamento fixa as primeiras diretrizes para implantação e implementação
do atendimento médico homeopático no SUDS, atual SUS. Em 1989 a AMHB passa a compor o
Conselho de Especialidades da AMB, e em 1990 foi realizado o primeiro concurso para
concessão de Título de Especialista em Homeopatia. Em 1990 é criada a Comissão de
Saúde Pública da AMHB (CSP/AMHB), formada por médicos homeopatas que atuam na rede
pública de vários estados, cujos objetivos são: incentivar a implantação e a
implementação dos serviços; desenvolver trabalhos de pesquisa e avaliação e prestar
assessoria técnica.
Para alcançar tais objetivos, essa comissão promove regularmente, desde 1993, fóruns de
debates com os profissionais homeopatas que atuam na rede pública de saúde, com o
objetivo de avaliar, trocar experiências, fomentar e integrar o atendimento homeopático
no SUS.
Em 1998 a CSP/AMHB desenvolveu uma série de encontros visando avaliar a situação dos
serviços de homeopatia no SUS e a criação de um banco de dados. Os resultados
enumerados a seguir, evidenciaram os principais problemas enfrentados no dia a dia por
esses serviços:
- Ausência de uma política ministerial de desenvolvimento da Homeopatia no SUS;
- Falta de decisão política dos diferentes níveis de gestão do SUS;
- Precariedade do vínculo dos profissionais homeopatas em relação ao SUS devido:
1. A quase inexistência de quadro funcional de médico homeopata no âmbito das
Secretarias de Saúde ;
2. Ao reduzido número de concursos públicos para médico homeopata no SUS;
- A estrutura organizacional deficitária para garantir o atendimento homeopático de
qualidade;
- Falta de estruturação dos serviços de homeopatia existentes para que possam atender
adequadamente as demandas inerentes aos próprios serviços como, por exemplo, os casos de
urgência e a demanda de leitos hospitalares;
- Escassez de insumos para um atendimento de qualidade dos serviços:
1. Falta de recursos humanos com capacitação técnica em homeopatia: enfermagem,
auxiliares;
2. Falta de recursos materiais e referências bibliográficas acessíveis.
- Não distribuição gratuita da medicação homeopática na maioria dos serviços;
Em 1999, houve a inclusão das consultas médicas homeopáticas na tabela de procedimentos
do Sistema de Informação Ambulatorial (SIA) do SUS, o que possibilitou dar visibilidade
ao crescimento da atenção homeopática no SUS, observa-se um crescimento anual de 10%
até o final de 2003. No ano de 2003, 20 estados e em torno de 100 municípios informaram
a realização de consultas homeopáticas neste sistema.
Como podemos observar por este histórico, o processo de institucionalização da
homeopatia no SUS, apesar dos diversos problemas enfrentados para sua correta inserção e
desenvolvimento, vem conseguindo avançar em nível municipal e estadual na atenção à
saúde da população usuária do SUS.
2) SITUAÇÃO ATUAL
Em 2002, A Organização Mundial da Saúde (OMS), elabora documento que propõem objetivos
a serem alcançados pelos países membros, no sentido da integração das Medicinas
Naturais e Tradicionais nos Sistemas Nacionais de Saúde.
Considerando o documento da OMS e o crescimento da homeopatia no SUS, a AMHB, através de
seu Presidente, juntamente com outras entidades representativas da Medicina Natural
(Acupuntura, Fitoterapia e Antroposofia), em junho de 2003, tiveram uma Audiência com o
Ministro da Saúde. A partir desta, foi criado no MS, um Grupo de Trabalho Coordenador
para elaborar uma Política Nacional de Medicina Natural e Práticas Complementares, em
parceria com estas entidades.
Em setembro de 2003, as Associações Nacionais representativas que estiveram em
audiência com o Ministro da Saúde, fizeram uma apresentação do diagnóstico de
inserção das MNPC no SUS (apresentação sobre homeopatia em anexo). A partir desta
reunião, foram instituídos 4 subgrupos de trabalho: homeopatia, acupuntura,
fitoterapia/plantas medicinais e antroposofia.
O subgrupo de homeopatia tem como objetivo definir diretrizes e políticas voltadas para a
atenção homeopática no SUS, avaliando a situação atual da implantação da homeopatia
nas unidades de saúde do SUS e o impacto na saúde pública do país. Na formulação de
uma Política Nacional para Homeopatia no SUS, apresentamos algumas propostas de ações
que foram aprovadas pelo GT coordenador:
- Diagnóstico da situação atual das ações e serviços de homeopatia no SUS, através
de questionário enviado para todas as Secretarias Municipais de Saúde; o GT coordenador
optou por enviar um questionário único para as Medicinas Naturais e Práticas
Complementares.
- Realização do 1° Fórum Nacional de Homeopatia (ver Ações Estratégicas de
Operacionalização)
- Criação de uma rede virtual permanente para discussão e apoio à política de
homeopatia no SUS.
3) JUSTIFICATIVA
A normalização e a ampliação do acesso da população à Homeopatia, bem como sua
integração com as demais ações desenvolvidas pelo sistema, pode representar um grande
passo no sentido da reafirmação dos princípios da Reforma Sanitária de
universalização, integralidade, equidade e da construção de um SUS mais humanizado e
efetivo, na medida em que a Homeopatia:
? caracteriza-se por estimular os mecanismos naturais de cura do organismo e por uma
importante valorização da relação médico-paciente;
? a homeopatia tem abrangência de ação generalista, assistindo a todas as faixas
etárias;
? exige uma tecnologia simples com um custo de financiamento condizente com as condições
socioeconômicas e culturais do País;
? pode estender-se das doenças agudas e epidêmicas às crônicas, não-transmissíveis e
às lesionais;
? em médio prazo, pode ser capaz de reduzir a demanda por intervenções hospitalares e
emergenciais;
? contribui com a diminuição dos gastos públicos com a saúde;
? tem se mostrado de grande adesão dos usuários nos locais onde já está implantada.
4) AÇÕES ESTRATÉGICAS DE OPERACIONALIZAÇÃO
1° FÓRUM NACIONAL - A homeopatia que queremos implantar no SUS
O 1° Fórum Nacional de Homeopatia foi realizado em Brasília, no período de 12 a 14 de
maio, organizado pelo Ministério da Saúde, com apoio da Associação Médica
Homeopática Brasileira (AMHB) e da Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas
(ABFH).
O evento reuniu cerca de sessenta profissionais, entre técnicos do Ministério da Saúde,
homeopatas da rede pública Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde e
de entidades representativas da homeopatia AMHB, ABFH e Associação Brasileira de
Cirurgiões-Dentistas Homeopatas (ABCDH); além de representantes dos conselhos das
categorias Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Federal de Farmácia
(CFF); usuários de homeopatia da rede pública, representantes de ONGs, professores e
pesquisadores de Universidades Públicas.
Estes profissionais debateram intensamente sobre as estratégias, possibilidades e
desafios para a inserção plena da homeopatia no SUS, com o objetivo de apontar
subsídios para a construção da Política Nacional para as Medicinas Naturais e
Práticas Complementares (PNMNPC), no que concerne à homeopatia.
A metodologia utilizada foi à discussão em Grupos (5), seguidos de Plenárias para
aprovação dos relatórios, possibilitando a discussão de todos os temas por todos os
participantes. Os debates foram realizados considerando cinco temas cujas principais
conclusões descrevemos a seguir:
Grupo I Organização da Atenção
A reforma sanitária e a criação do SUS, baseados nos princípios doutrinários de
universalidade, integralidade e eqüidade, vem ao encontro dos princípios doutrinários
homeopáticos, abrindo na década de 80 as portas para a entrada da Homeopatia na rede
pública de saúde.
Afinando-se com estes princípios e, alicerçada no controle social, a homeopatia busca
consolidar como parâmetros de qualidade de sua prática:
? Integralidade: compreensão do sujeito enquanto unidade hierarquizada e indivisível,
não sujeito a limitação de recortes patológicos, em detrimento da compreensão do
processo saúde/doença;
? Equidade: dimensionada na atenção às necessidades de saúde da população,
respeitando as diferenças individuais;
? Universalidade: na garantia democrática do acesso a essa racionalidade enquanto direito
de exercício de cidadania.
A homeopatia tem como princípio uma abordagem de atenção e cuidado integral à saúde
dos indivíduos. Deste ponto de vista, pode e deve ser inserida em todos os níveis de
atenção do sistema, prioritariamente na atenção básica, atuando nas equipes de
atenção básica ou na lógica de apoio matricial, devendo constituir-se em Política de
Estado.
Grupo II Assistência farmacêutica
Assistência Farmacêutica Homeopática no SUS é o conjunto de atividades
inter-relacionadas, de responsabilidade dos gestores públicos, fundamentadas em
critérios de eqüidade, qualidade, custo-efetividade, segurança, uso racional e
resolutividade, garantindo o acesso ao usuário do medicamento homeopático. Abrange a
atenção farmacêutica e os processos de seleção e programação, obtenção,
armazenamento, manipulação/produção, distribuição e dispensação do medicamento
homeopático.
Para garantir o acesso ao medicamento homeopático ao usuário do SUS, o modelo de oferta
deverá ser preferencialmente por meio da farmácia ou laboratório público podendo ser
municipal, regional ou estadual.
Grupo III Formação e Educação Permanente
A institucionalização da Homeopatia no SUS requer a formulação de políticas de
formação e educação permanente para os profissionais homeopatas. Considerando que a
formação de especialistas em Homeopatia nas diversas áreas profissionais da saúde não
se realiza no âmbito das universidades pública ou privada e que quando ocorre se dá de
modo raro e incipiente, é fundamental a parceria entre o Ministério da Saúde e as
associações nacionais das categorias com vista a incorporar os critérios que qualificam
a prática e que fundamentam a definição das competências próprias aos profissionais,
privilegiando a formação em serviço como padrão de excelência na capacitação de
homeopatas.
Os projetos nesta área devem estar em consonância com os princípios e diretrizes da
Norma Operacional Básica de Recursos Humanos para o SUS e com a Política Nacional
de Formação e Desenvolvimento para o SUS: Caminhos para a Educação Permanente em
Saúde.
Grupo IV Informação, Comunicação e Educação Popular em Saúde (EPS)
Estas devem ser consideradas ações essenciais para o processo de implantação e
implementação da Homeopatia no SUS. A prática homeopática e a EPS estão profundamente
afinadas em seus princípios filosóficos. Ambas favorecem a construção da autonomia a
partir de várias categorias (ações). A Homeopatia o faz na medida em que o acolhimento
humanizado e integral do sujeito (escuta homeopática) constrói vínculo entre o
profissional e o usuário, favorecendo o auto-conhecimento e a auto-estima. A EPS
enriquece a prática homeopática ao ampliar a discussão sobre o processo saúde-doença,
problematizando os determinantes sócio-econômicos enquanto obstáculos à cura.
Através de sua metodologia dialógica, a EPS oferece instrumentos que permitem a
integração das diferentes racionalidades médicas entre si e destas no SUS,
intermediando paradigmas, saberes e práticas.
Considera-se como prioritário apoiar projetos que relacionam a racionalidade médica
homeopática à construção social de demandas e necessidades em direção ao conceito de
integralidade do ser e do sistema, incluindo-se aqui aqueles voltados para a busca de
soluções não medicalizadoras, visando a autonomia, auto-conhecimento e auto-estima.
Grupo V Estudos e Pesquisas
Os estudos e pesquisas em homeopatia devem abarcar todas as áreas de concentração:
pesquisa básica, epidemiológica, clínica, social, farmacêutica, avaliação de
serviços, pesquisa patogenética e farmacológica. Devem também, respeitar as
características da racionalidade homeopática.
Foram definidas como prioritárias as pesquisas que avaliem a segurança, a eficácia, a
eficiência e a efetividade da homeopatia no SUS; pesquisas que aprimorem e consolidem a
assistência homeopática no SUS; levantamento nacional dos trabalhos científicos
realizados (banco de dados) e a utilização dos mesmos para aprimoramentos futuros.
No que diz respeito aos mecanismos e estratégias de articulação, de incentivo e de
apoio ao desenvolvimento de estudos em homeopatia, foram sugeridos: a qualificação dos
profissionais homeopatas do SUS em metodologia de pesquisa, por meio da estratégia de
educação permanente e o estímulo ao desenvolvimento de linhas de pesquisa nos cursos de
pós-graduação strictu senso junto às universidades e institutos de pesquisa.
Por fim, foi considerada a necessidade de criação de uma rede de apoio
técnico-científica à pesquisa em homeopatia no SUS, constituída por representantes dos
órgãos governamentais, universidades e das comissões de pesquisas das entidades
representativas da Homeopatia, que utilizem redes informatizadas com amplo acesso e
parceiros qualificados, voltada primeiramente para o levantamento dos serviços estaduais
e municipais interessados em desenvolver projetos de pesquisa em homeopatia, e num segundo
momento, para o auxílio da elaboração de protocolos que se adaptem às necessidades
locais.
Considerações Finais
Além destes temas, os grupos foram estimulados a pensar mecanismos e estratégias de
articulação para o fortalecimento e apoio à implementação da homeopatia no SUS, para
tanto, foram sugeridos os seguintes pontos:
? Garantir a criação de um Fórum Virtual Permanente, para acompanhamento e apoio à
implementação das propostas, disponibilizando neste as produções, experiências e
documentos que fortaleçam a política de homeopatia no SUS;
? Encaminhar essa discussão a outros fóruns (CONASS, CONASEMS, etc.) e aos Conselhos de
saúde;
? Promover intercâmbio técnico científico com instituições de ensino e associações
e entidades representativas da Homeopatia;
? Estimular a participação ativa e constante de todos os órgãos do Ministério da
Saúde, envolvidos no processo de implantação e implementação da Homeopatia no SUS.
É importante salientar que este trabalho não está finalizado, que são necessárias
ainda muitas discussões envolvendo todos os atores interessados e que estas sugestões
ainda necessitam de aprovação do GT Coordenador responsável pela elaboração da PNMNPC
do Ministério da Saúde.
5) CONCLUSÃO
A visão e a compreensão generalista da assistência médica homeopática colaboram na
otimização dos recursos disponíveis, o que contribui para uma maior abrangência das
ações de promoção, prevenção e atenção à saúde da população brasileira. Uma
Política Nacional para o desenvolvimento da Homeopatia no SUS, elaborada no âmbito do
Ministério da Saúde, com o apoio dos estados e municípios e das instituições
representativas da prática e do saber homeopático, certamente promoverá uma
assistência homeopática com mais segurança, eficácia e qualidade aos usuários, além
de reforçar os princípios do SUS.
COMISSÃO DE SAÚDE PÚBLICA
ASSOCIAÇÃO MÉDICA HOMEOPÁTICA BRASILEIRA |