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O objetivo deste trabalho é fazer uma
revisão bibliográfica dos escritos de
cirurgiões-dentistas sobre Homeopatia em Odontologia e de investigar
como os sintomas mentais são inseridos nestas obras, conforme a Matéria Médica
Homeopática e o Repertório os apresentam,
e de como esta valorização (hierarquização) dos sintomas mentais
influenciam na arte de curar odontológica.
Como é sabido a
formação do cirurgião-dentista se dá de uma forma extremamente tecnicista e
mecanicista, enfatizando uma visão de odontologia “dentocêntrica”, com sua
construção completamente onipotente em relação as outras ciências da saúde.
Segundo Novaes,
aqui importa apontar
é que a transformação do cirurgião-dentista em dentista, uma nova profissão,
tal qual ocorreu nos Estados Unidos, faz parte
de um movimento histórico específico, em que o fato de já se dispor de
um relativo conhecimento e domínio técnico sobre os dentes no interior da
Medicina, contribui para sua viabilização, mas não se constitui, provavelmente,
em um de seus fatores determinantes. O que nesse texto interessa indicar é de
que forma esse afastamento da Medicina, como “saber mãe”, repercutiu sobre o
desenvolvimento tecnológico da Odontologia, e que implicações tem o abandono
dos dentes e, ainda que em menor grau, da boca, pela Medicina.” (NOVAES; org.
BOTAZZO & FREITAS,1998)
Na mesma obra, acima citada, outro autor,
desta vez Marsiglia, mostra o quanto a Odontologia se apóia, paradoxalmente, no
mesmo paradigma implantado nas Faculdades de Medicina dos Estados Unidos, em
1910:
“Abraham Flexner, educador formado pela
Universidade de John Hopkins, preparou, a pedido da Fundação Carnegie dos
Estados Unidos, um relatório sobre a situação das diversas escolas médicas do
país. Baseando-se na qualidade técnica da escola médica européia, especialmente
a alemã, Flexner deu ênfase à formação de uma elite profissional e recomendou o
fechamento de 124 escolas das 155 existentes nos Estados.” (MARSIGLIA; ibidem)
Vale lembrar, nesta
introdução, que nessa reforma foram fechadas a maioria das Faculdades de
Homeopatia existentes nos E.U.A, conforme relata Campbell:
“Durante o século dezenove a homeopatia prosperou extraordinariamente em
seu novo lar. Faculdades de homeopatia surgiram em todo o país e milhares e
milhares de profissionais formaram-se nelas. A mais famosa foi a Faculdade
Médica Homeopática de Filadélfia, mas havia muitas outras: 22 faculdades, em
1900, e antes da primeira guerra mundial havia 56 hospitais gerais
exclusivamente homeopáticos- alguns dos quais com até 1400 leitos- 13 asilos
mentais com até 2.000 leitos cada um, 9 hospitais infantis e 21
sanatórios.(...)Por volta de 1918 o número de faculdades homeopáticas tinha
diminuído para sete, e não demorou muito para que estas também desaparecessem.
A Faculdade Médica Homeopática da Filadélfia deixou de ensinar homeopatia na
década de 30, época em que a homeopatia já não era assunto vivo na política
médica americana, estava, na verdade, praticamente extinta.” (CAMPBELL,1991)
Com isso podemos
situar no tempo, o período crítico para a derrocada do vitalismo nos meios
universitários, entendendo-se a resistência por parte das instituições de
ensino de ensinarem outras terapias, ditas alternativas, e que não se
“enquadravam” no modelo “hospitalocêntrico” e “ flexneriano”, conforme atesta o
professor Flávio Dantas, em recente conferência:
“ A homeopatia,
enquanto conhecimento médico aplicado existente há mais de 200 anos, tem
merecido ainda uma insuficiente atenção por parte da comunidade universitária.
Criada dentro de um espírito experimental, a homeopatia tem sido em algumas
oportunidades sistematicamente
rejeitada pelo corpo oficial das universidade, particularmente das escolas médicas (grifo meu). Oficializada no
Brasil como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) há 20
anos, seu ensino optativo em escolas médicas brasileiras não atinge ainda 5%
das escolas médicas.”(DANTAS,2000)
Prosseguimos aprendendo com Marsiglia:
“No caso do Brasil, as
escolas da área de saúde, criadas e desenvolvidas sob a influência da educação
européia até o início deste século, passaram a sofrer forte influência
norte-americana a partir da década de 1920.
Paradigmático
é o caso das faculdades de Medicina, que nos anos 40 e 50 passaram por uma grande reforma da estrutura
curricular, tendo como base o modelo flexneriano : constituiram os ciclos
básicos nos primeiros anos de ensino e os ciclos clínicos nos anos subsequentes
e concentraram o ensino prático no ambiente hospitalar, inicialmente com a
utilização dos hospitais das Santas Casas e posteriormente com a criação de hospitais de clínicas junto às faculdades
de Medicina.
A Odontologia absorveu também o paradigma flexneriano,
passando a defender: o corpo humano como uma máquina, a natureza exclusivamente
biológica da doença, a atenção centrada sobre o indivíduo e sobre as práticas
curativas, a fragmentação do objeto em função da especialização, a tecnificação
do ato odontológico e a exclusão das
práticas alternativas, (grifo meu) o desinteresse pelas ações de promoção e
prevenção das doenças.
Com esses pressupostos, os cursos de Odontologia no país
assumiram as características do modelo de ensino flexneriano, como apontaram
Mendes & Marcos(1984,p. 23): separação entre docência, prestação de
serviços e pesquisa; ciclo básico separado do ciclo clínico e concentrado nos
primeiros anos do curso; ênfase na
doença ou lesão e nas ações curativas e de reabilitação; (grifo meu)
estruturação de microdisciplinas por especialidades odontológicas; ensino
centrado na difusão de tecnologia sofisticada; ensino exclusivamente nos
serviços das escolas, desconhecendo os serviços externos; pessoal docente
especializado por microdisciplina: relação professor-aluno autoritária e
paternalista; ênfase na pesquisa biológica.”( ibidem)
Após esta explanação, depreende-se que toda
visão de cura que enfatizasse as propostas vitalistas, com sua valorização da
totalidade sintomática, que é o caso da Homeopatia, com sua repertorização
embasada em sintomas mentais, emocionais ou psíquicos passaria despercebida, e
até menosprezada, ainda mais na Odontologia, que pelas características do seu
ensino citadas acima, deixou de lado qualquer consideração psicossomática.
Em meio desta odontologia hegemônica, surgem
algumas vozes dissonantes, lançando através da psicossomática, as bases da
visão de totalidade do ser humano. Entre estes podemos destacar o
cirurgião-dentista Álvaro Badra, que em sua extensa obra faz referências à “ Importância da Homeopatia em Odontologia”,
título do último capítulo do seu livro, senão vejamos:
“Há um século passado a
Odontologia estabeleceu suas próprias escolas independentes da Medicina, e
desenvolveu-se a discórdia que haveria de adiantar as fases técnicas da prática
odontológica e retardar as biológicas.(...)
A Odontologia é um ramo da Medicina e não pode sentir-se
alheia à decidida reorientação desta, nos últimos tempos, para a consideração da pessoa total do paciente – o paciente como um
todo, que seus diferentes órgãos
dependem um dos outros com todos seus problemas, suas angústias, seus males,
seus temores, suas dores, seus estados de alma, suas deficiências de adaptação
ao meio ambiente (grifo meu), o
conseqüente traçado da especialíssima relação entre Profissional e o Paciente.
Desde Hipócrates até agora, nunca houve verdadeira Medicina
se não se considerasse no conjunto as duas tendências que poderemos aqui
resumir em somática e psíquica. No homem não se encontra o corpo de um lado e
alma do outro, mas, trata-se de um corpo animado ou uma alma encarnada.
A Escola Homeopática
de Medicina é também uma escola sintética como a corticovisceral e a
psicossomática, com a mesma concepção.”(BADRA,1987)
Curiosamente, talvez
pela ênfase em sua obra dos aspectos da Psicossomática, com visão biologicista,
referenciado na escola comportamental pavloviana, Badra dá apenas umas poucas
indicações organicistas de medicamentos homeopáticos, sem qualquer referência
aos sintomas mentais da Homeopatia.
2
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Ao começarmos esta
revisão buscaremos um autor que fiel a doutrina homeopática apresenta de uma
maneira sintética a fundamentação desta
doutrina clássica. Certamente uma das
primeiras teses publicadas em odontologia homeopática, neste excerto podemos
nos situar na maneira como a subjetividade do paciente é considerada na
terapêutica, onde cada sintoma físico encontra uma modalização seja no mental,
nas sensações ou nas diferentes expressões de uma mesma doença, dependendo das
idiossincrasias de cada indivíduo. Aqui se percebe a Racionalidade Homeopática
como a coleta de observações obtidas em homens sãos a partir de medicamentos
tóxicos ou meramente ativos, que assim
compõe a Matéria Médica Homeopática e, a partir disso, aplicando-se a Lei dos
Semelhantes busca-se a Cura do Doente:
“ O Dr Herbert Robert, em seu livro “ Sensation as if”, escrevia
em memória de Samuel Hahnemann: O
primeiro, dizia ele, a ter avaliado
as sensações subjetivas.
A análise que faz a medicina corrente do
comportamento álgico do animal, a homeopatia, “ medicina da pessoa” , dirige-se
à experiência humana, recolhe em ordem lógica fenômenos mórbidos, subjetivos e
objetivos, que provocam em organismo humano em boa saúde, porém, sensível,
substâncias tóxicas ou simplesmente ativas, pertencendo aos três reinos da natureza (Ecologia).
Toda esta fisionomia viva, humana, estas informações
psíquicas muitas vezes bem exatas, são particularmente úteis para caracterizar , diferenciar os
modos reacionais tão variados de nossos pacientes.
Quantas
vezes o diagnóstico do medicamento é orientado por sintomas dolorosos muito
individualizados!
Assim, em nossa prática, podemos observar, por exemplo:
-
que uma odontalgia
seja agravada após uma contrariedade ou após um excesso de ira;
-
que dores se tornem
progressivamente intoleráveis, a ponto de ficar louco;
-
que uma celulite
perimaxilar não apresente em compensação dor alguma;
-
que uma algia dentária
seja nitidamente melhorada deitando sobre a zona dolorosa.
Eis
reações que espantam, embaraçam o clínico, mais ainda o confundem, pois não
pode compreender a razão disso.
Respeitamos as sensações de outrem e anotamos os sintomas
expressos pelo doente. Pois tudo que se encontra em nossas matérias médicas
encerra precisamente sintomas expressos por nossos pacientes
O essencial é de achar o sósia medicamentoso, o remédio mais
semelhante ou o “simillimum”.
De um lado , o diagnóstico clínico e, de outro lado, o
diagnóstico terapêutico com os sintomas curiosos, estranhos, singulares,
pessoais característicos, aquele
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Página que chama a atenção das modalizações
dos sintomas bucodentais e sua contribuição para a caracterização da
individualidade do doente, com suas melhoras e agravações, buscando, também, nos sintomas psíquicos
estas diferenciações sintomatológicas é
a que podemos ler no autor a seguir:
“As modalidades – Individualização do Paciente: A coleta de sinais e
sintomas do paciente segue a metodização da propedêutica clássica acrescida de
MODALIZAÇÂO da sintomatologia pertinente à semiologia homeopática.
Modalização ou modalidade refere-se à qualificação ou à
adjetivação de determinado sinal ou sintoma apresentado pelo doente. É o
conjunto de fatores que agravam ou melhoram a condição da sintomatologia na
totalidade do indivíduo. O sintoma ou sinal modalizado é um sinal ou sintoma
individualizado identificativo do modo reacional próprio de cada pessoa.
A modalidade de agravação ou melhora, portanto, refere-se à
maneira individual de reação frente ao meio ambiente, pode ser relacionada à
sintomatologia do local, geral ou do psiquismo(grifo
meu). As modalidades geral e local são as seguintes: sensibilidade térmica,
climática estacional como o frio, calor, umidade, outono, verão, etc.; o modo
que se reage à beira-mar, campo, montanha. Os desejos e aversões alimentares; modalidades
de repouso, movimento, noite, dia,etc.
Modalidade do
psiquismo incluem a afetividade, moralidade, o intelecto, a sexualidade, e
emoções como depressão, cólera, ansiedade, medo...(grifo meu)
Os fatores etiológicos interessam na escolha do medicamento
homeopático. Ex.: uma guna após excessos alcoólicos, após transtornos emocionais por cólera são sintomas-guia que levam a
pensar na prescrição de Nux vomica. Outro
exemplo: uma crise de úlcera aftosa recorrente ou até mesmo nevralgia do
trigêmio depois de desilusão amorosa
teria como possível medicamento Natrum
muriaticum, e assim por diante.
Muitas vezes, o paciente apresenta o seu remédio na face: os
2 lados da face vermelhos e quentes, olhos injetados, expressão facial colérica com abcesso dentoalveolar agudo e muita dor(grifos
meus): Belladona ( DULCETTI, 1992)
Em outra obra, o autor explicita um dos quatros pilares da homeopatia, a
experimentação no homem são, e enfatiza
sua importância em função das
peculiaridades psíquicas do ser humano, bem como a alta hierarquia dos sintomas mentais na
escolha do medicamento homeopático:
“Nós homeopatas fazemos as experiências de experimentação dos
nossos remédios nos experimentadores, ou seja, nos indivíduos hígidos, colhemos
todos os resultados e organizados o que nós chamamos de patogenesia, isto é, o
registro de todos os sintomas, manifestados pelos experimentadores. Os
alopatas, entretanto, fazem essas experiências, essas experimentações, nos
animais e aplicam os resultados delas,
no homem doente. Vou mostrar um artigo do Prof.
Leon Tetrau, do , Instituto de Pesquisa da Universidade de Montreal
que diz o seguinte : “ A pesquisa clínica, em Farmacologia,
existe desde que a medicina se tornou experimental. Ela sofre, porém uma falta
de rigor flagrante, porque essa pesquisa parte da pesquisa farmacológica em
animais. A pesquisa farmacológica no homem, não é novidade, porque nasceu há
mais de trinta anos e nela, diz o referido professor, é que se apóia a
verdadeira farmacologia humana e a própria terapêutica, sendo portanto,
absolutamente necessária.
Essa necessidade foi tão grande que a maior(sic) revista
mundial de medicina da World Medical Association, promoveu um simpósio dedicado
a esse assunto. Desse simpósio, surgiu um código para ser obedecido, na feitura
dessas experimentações, estamos vendo que o avanço científico da escola
homeopática vem se fazendo no sentido dos fundamentos que a homeopatia defende.
Realmente, como admitir, como base na farmacologia, as reações que o animal
apresenta nessas experimentações, principalmente os de ordem psíquica, que são
os mais importantes. O animal rato, coelho, etc... pode reagir com
manifestações físicas, porém jamais poderá exteriorizar as alterações sofridas
no campo psíquico. Mesmo entre animais da mesma espécie, há diferenças
sensíveis nas reações provocadas pelas substâncias aplicadas.
Hierarquia dos
Sintomas: este é outro princípio
que interessa aos homeopatas, para a escolha do medicamento e individualização
do doente. Nós temos uma série de regras para valorizar os sintomas, desde os
mentais, morais e psíquicos. Na escolha do medicamento, Hahnemann estabeleceu
um esquema conhecido por Esquema de
Hahnemann e que muito ajuda e orienta essa valorização. Este esquema da
hierarquia, vem do maior valor aos sintomas
mentais(grifo meu) (KINOUCHI, 1986.)
Nesta obra, apesar da ênfase na
hierarquiazação dos sintomas mentais há poucas referências aos sintomas
mentais, frisando sempre a indicação organicista, à exceção destes três
remédios encontrados:
Arsenicum album: Ansiedade com temor a morte. Agitação intensa. Desepero de
cura, sede por pequenas quantidades de água, dores queimantes, melhoras pelo
calor, agravação à noite, a 1h da madrugada (sic), fetidez das secreções,
fetidez das secreções, são importantes sintomas que indicam este importante
medicamento.
Phosphorus: O tipo de phophorus é longilíneo, magro, alto, com desvios da
coluna, tórax estreito, fragilidade respiratória. Os dentes são brancos, longos
e facilmente cariados. Do ponto de vista psíquico é sensível, ansioso,
facilmente fatigável. Ansiedade pela manhã e nas tempestades.
Hepar sulphur: Produz hipersensibilidade do sistema nervoso constando
intolerância à dor.A dor de Hepar é atroz "“como por agulhas ou pregos
enfiados na carne”, é consideravelmente agravado pelo menor contato ou menor
corrente de ar.. O doente de Hepar é do ponto de vista psíquico de extrema
irritabilidade com tendência a violência. Habitualmente moroso e apático ele é
capaz de excessos nas explosões de cólera.(ibidem)
Busquemos no estudo comparado entre
homeopatia e psicanálise a gênese de determinadas afecções bucais, que na
clínica diária e convencional, quer exercida por dentistas ou médicos são
menosprezadas nos relatos dos pacientes, como exemplo os distúrbios da
dentição, bem como uma abordagem que realça as funções psíquicas da boca na
constituição de uma individualidade
equilibrada, e a contribuição da homeopatia em odontologia para sanar eventuais
transtornos porventura daí originários:
“Transtornos de la denticion: cabe senãlar que los amplios límites de
susceptibilidad a la enfermedad presentados por el infante durante la crisis
del nascimiento, erupción dental, destete y en general lo que constituye la
etapa oral, pueden ser regulados com medicamentos constitucionales, no sólo por
la participación de estos en las condiciones intrínsecas del ninõ (somato-funcionales) sino además, por
su demonstrada capacidad de influenciar los fenómenos psicobiológicos asociados. Es importante hacer notar, que
las funciones bucales durante la lactancia, son expressiones básicas de
urgencias instintivas puestas al servicio de la autoconservación; no obstante que al sobrevenir la dentición , la
relación materna infantil se vea amenazada, debido a que el niño debe dejar
el pecho materno, porque de no hacerlo sus dientes lo lesionarían (...)
- Hiperestesia en
las encias, ardor, comezon, sialorrea
- Sudoracion de la
cabeza
-
Llanto continuo,
inquietud, desesperacion
-
Fiebre e malestar
general
-
Deseo de ser llevado
en brazos
-
Espasmos del sollozo,
convulsiones, irritabilidad
-
Transtornos en el
sueño
-
Gastralgia, colicos
intestinales, diarreas
Medicamentos: CHAMOMILLA
MATRICÁRIA, PHYTOLACCA DECANDRA, ATROPA BELLADONA, CINA ARTEMISIA e outros.
Aprofundando ainda mais as referências da
importância da cavidade oral como instância primária de manifestações orgânicas
e sistêmicas, o referido autor esclarece com propriedade as relações entre a
cavidade oral como parte de uma totalidade, e de um órgão que espelha
inteiramente esta mesmas relações, estabelecidas na gestação e primeira
infância:
1. la cavidad oral
es el aparato donde se centran las primeras y más transcendentales experiencias
humanas que ocurren durante el crucial período de máxima dependencia del ninõ;
experiencias que ponen a prueba su capacidad adaptativa coordinada por factores
inseparables en un biotipo como son: Los componentes morfológicos, los
elementos psíquicos y temperamentales y la capacidad reactiva, relacionada esta
última com la predisposición miasmática.
2.
La patología del
aparato estomatognático no es autónoma del resto del organismo en níngún
período del somato desarrollo, sino que incluso com la mente, forman un todo en
el que se relacionan mutuamente.
3.
El aparato
estomatognático como representante inconciente de todo el tubo digestivo es
órgano de expresión somatizada de grandes conflitos psíquicos que en etapas
posteriores de la vida, cuando surgen trastornos emocionales o situaciones de
alarma, puede volver a establecerse en
la mente la conexión psicobiológica original y aparecer manifestaciones
psicosomáticas que hallam vehículos de expresión en cavidad oral y otras partes
del organismo.
4.
De acuerdo com
el contenido psicoanalítico de la etapa oral, el aparato estomatognático ante
ciertos períodos de mayor demanda psíquica o somática se convierte en el
elemento focal de expresión motora de impulsos agresivos y en consecuencia, el
símbolo de las más básicas fantasias destructivas que alberga el inconsciente
humano y de cuya elaboración dependen, tanto la salud como la enfermedad
posterior.(GARCIA,1993)
Com
a citação anterior compreende-se o quanto pode-se contribuir para uma maior amplição do entendimento da
criança que manifesta seus sintomas bucais e dentários e de como se apresentam os sintomas mentais,
modalizáveis a partir desta observação na
Homepatia em odontopediatria e sua totalidade sintomática, sempre
estudando a Matéria Médica :
“Nesta especialidade odontológica, de rápido desenvolvimento em técnica
e terapêutica, tem a Homeopatia notável
indicação por ser o medicamento, quando prescrito corretamentamente, de nenhum
efeito tóxico ou colateral.
Como exemplo, explicamos a seguir de que maneira uma série de
remédios se adapta às características encontradas em crianças:
Aurum(ouro)
Estas crianças não tem iniciativa nem impetuosidade, ficam
quase sempre apavoradas com a dor e são susceptíveis às decepções.
As crianças aurum em geral soluçam
durante o sono. Nos meninos, um ou ambos os testículos muitas vezes não
desce.
Calcarea carbonicum(calcário carbônico)
Estas crianças são gordas, claras, e fracas, ficando quentes e suadas quando
em exercício. Tem cabeças grandes e são fracas em jogos. Não tem
iniciativa e não se aventuram a sair de onde lhes foi mandado ficar.
Capsicum(cápsico,pimenta)
Estas são crianças
gordas, de bochechas e orelhas vermelhas, desajeitadas e com dificuldade de
aprendizado. Tem memória fraca e são normalmente rotuladas de preguiçosas.
Sofrem de saudade de casa.
Causticum(caustico, cautério
Estas são crianças desajeitadas,
de pele amarelada. Costumam molhar a cama e são sujeitas a verrugas.
Entretanto, são também muito simpáticas e sempre ficam nervosas ao ver outras
crianças chorando ou de alguma forma angustiadas. Tendem a melhorar em clima
úmido.
Chamomilla(camomila)
Hipersensíveis e
muito agressivas, estas crianças reagem à dor com forte ressentimento e raiva .Com frequencia uma das faces fica ruborizada. As crianças
pequenas do tipo camomila gostam de
ser carregadas no colo.
China (chinchona, quinina)
Estas não gostam de ser carregadas(ao contrário das crianças
camomila), e ambas as faces podem ficar coradas. São teimosas e
mal-humoradas. Costumam pôr o dedo
no nariz e, depois de
vomitar, pedem comida.” (LACERDA,1991)
Ao partirmos dos remédios de infância é
natural depreendermos que, por conseqüência, estas afecções relatadas nas
Matérias médicas citadas acabem gerando doentes adultos que ao não serem
tratados acabem exacerbando certas idiossincracias, levando a novos sintomas
mentais, muitos decorrentes de uma época que acirra certas tendências, com
manifestações orofaciais:
“As emoções e a saúde
dos dentes: antecipação, frustrações, perdas, ruínas, traumas, ressentimentos e
repercussões na boca, preocupação econômica. A raiva e o ódio expressas no aparelho
mastigatório.
Fóbico, não
consegue andar sozinho pela cidade. Medo de andar na rua, de alturas, medo dos
edifícios cairem sobre ele(grifo meu). Dentes negros como quase todos os
medicamentos luéticos importantes. Sente dores de dente em dentes saudáveis.
Gengivas sangrantes facilmente ao contato. Tremores nos lábios. Gosto de tinta
ou cobre na boca. Ponta da língua roxa ou dolorida.
A medida que você medica a grande ansiedade de antecipação, a
somatização no organismo vai diminuir bastante, inclusive sobre a estrutura
dentária que trás como conseqüência melhora da imunidade da boca. Repertorizando-se chegamos ao
medicamento Argentum nitricum.
Grande medo da
morte com agravamento entre meia noite e três horas da manhã.(grifo meu) Tendência a queimação e ardência pelo corpo.
Psoríase. Alcoolismo. Odontalgia melhora pelo calor da estufa e piora no
inverno, desgarrante, piora encostado sobre o lado dolorido e pré-menstrual.
Dentes frouxos, doloridos. Gengivas sangrantes, doloridas e ardentes, além de emaciadas.
Língua fissurada com sensação de queimação característica do remédio. Halitose.
Úlceras queimantes. Aftas azuladas ou brancas. Gangrena da língua em criança.
Arsenicum album
Transtornos
produzidos por medo, sustos, notícias ruins, excitante, penas, etc. Antecipação
com medo. Medicamento de virose cerebral e de vários outros tipos de viroses. Odontalgias em paciente nervosos, por
frio, por excitação, debilidade e tremor.(grifos meus) Paralisia dos lábios
superiores depois de uma longa conversação. Neuralgia orbitária paroxística com
contratura do lado correspondente. Neuralgia do trigêmio. Neuralgia facial com
dores erráticas, melhor pela micção. Rigidez da mandíbula. Trismus. Maxilar
inferior caído. Tremor do mento. Movimentos laterais da mandíbula que não pode
evitar. Transtornos durante a dentição. Gelsemium
Sentimento de
inferioridade com defesa de hipertrofia do ego tentando fugir de seu sentimento
de pequenez, às vezes sem ética e sem limites. Orgulhoso e arrogante tenta
desesperadamente fugir do sentimento de inferioridade, mas não consegue . Função hepato-renal comprometida com tendência a formação de
Cálculo renal e de vesícula. Memória
prejudicada. Não suporta ser contrariado ficando muito irritado. Fala com
veemência e em linguagem muito forte(grifos meus). Odontalgias só à noite, melhor por bebidas quentes ou pelo calor
da cama, com rosto inchado, pior ao tocar. Dentes frouxos e muito largos,
amarelados. Range os dentes. Piorréia. Úlceras. Lycopodium.”(LACERDA & VAC-HONE,1990)
As
emoções, suas repercussões na saúde e doença, como repercutem nos pacientes é
tema decisivo na ampliação da arte de curar odontológica, porque até agora este
tema se fez secundário na avaliação da
causação das doenças em odontologia, ainda mais quando se busca a imagem da totalidade sintomática de um
doente individualizado. Como representação desta considerável omissão , pode-se
lembrar que, mesmo quando as emoções como a fobia e a aversão ao tratamento
dentário estão presentes, são abordados
de uma forma instrumental, na medida, apenas, em que aparecem como obstáculo à
intervenção odontológica, quando menos, pois ainda mais grave são os sintomas
mentais causados por intervenções dentárias feitas de forma inadequada.
Embora o propósito deste trabalho seja refletir sobre a
importância dos sintomas mentais na construção de um novo paradigma em
odontologia, sem o concurso de uma pesquisa estatística,
cabe aqui a observação de que a maioria dos autores consultados, embora
referenciem-se na hierarquização dos sintomas mentais ,na representação
doutrinária da homeopatia, muito pouco
os aplicam em casos clínicos, a
não ser quando utilizam policrestos com rubrica organicista em boca e dentes,
dando prerrogativa à repertorização do agudo, com grande maioria de
sintomas locais e gerais. Transparece
nesta constatação o quanto, ainda, a Odontologia é uma ciência
instrumentalizada, visando sempre a imediaticidade de suas intervenções. O que
aqui ressalvamos: que a Odontologia já é rica em técnicas, e seria empobrecer a
Homeopatia em Odontologia se a reduzíssemos a mais uma “técnica localizada” e
“alopatizada”, Mesmo em autores que se utilizam de outros referenciais esta
contradição é explicitada:
“A Psicologia aplicada à Odontologia não é
mais uma especialidade Odontológica, nem um ramo da Psicologia. É uma atitude geral que postula uma visão
integrada do homem, na sua unidade corpo-mente (grifo meu), considerando
seu ambiente físico e seu meio sócio-cultural. Entende-se por ambiente físico
variáveis tais como: clima, atitude, alimentação, transporte, poluição
ambiental,etc.
O
ambiente sócio-cultural envolve considerações acerca de: crenças, educação,
lazer, religião, cor, nacionalidade, emprego, estado civil, sexo, idade,
família, status sócio-econômico, profissão,
etc. Estes aspectos permitem uma visão mais abrangente do paciente com o seu
meio, bem como suas relações com estas variáveis. Portanto, psicologia aplicada à odontologia é a aplicação dos
conhecimentos da psicologia para um melhor e mais completo tratamento
odontológico.” (grifos meus) (SEGER,1992)
Outra constatação, digamos
intra-homeopática, ou seja, na pesquisa referenciada nos pilares da homeopatia,
é a grande defasagem existentente entre a quantidade de sintomas médicos, em
muito maior quantidade, e atualização terminológica mesmo, e os que se referem
a odontologia, muito em função da separação entre as duas
ciências. Em termos práticos, é muito mais fácil a um médico iniciante se
localizar no repertório do que a um dentista iniciante, pelo anacronismo
terminológico que aparece nos capítulos boca e
dentes. Nesta
constatação começamos a ver os méritos dos autores que “destrincharam” os Repertórios
e adaptaram as rubricas às especialidades odontológicas, citadas em suas obras.
Após essa rápida digressão, voltando a
discussão em foco, podemos constatar que na Matéria Médica Homeopática e
Repertórios há uma distribuição caótica
de sintomas, que se interpenetram em diferentes capítulos e rubricas, bem como
na sua apresentação nas matérias médicas puras e que se refletem nas obras de
homeopatia em odontologia, como pode ser observado nas citações dos remédios
feitas na revisão da literatura disponível.
Nisto, que aparentemente, numa análise superficial, pode parecer
demérito está a vital contribuição que a homeopatia pode
emprestar à Odontologia, para uma visão unitária do ser humano, sendo uma arte
de curar que antecipou-se em duzentos anos às mais atualizadas visões de
medicina, religando mente (psíquico) e corpo (somático), que haviam sido separados,
arbitrariamente, pela filosofia cartesiana-newtoniana. Leiamos um pouco desta
nova visão, na “Doença como Caminho”:
“ Há muitos sintomas; contudo, todos eles são expressão de um único e
mesmo fato que denominamos doença e que
sempre acontece na consciência de um ser humano. Assim como um corpo não pode
viver sem consciência, ele também não pode adoecer sem a consciência. Neste
ponto, devemos deixar claro também que não
concordamos com a divisão atualmente aceita entre patologias somáticas,
psicossomáticas e mentais (grifo meu).
Um
conceito desse tipo é muito mais apropriada para impedir a compreensão da
doença que para facilitá-la.
Nosso ponto de vista corresponde de fato ao modelo
psicossomático, mas com a diferença de que usamos essa visão para todos os sintomas, sem a exclusão de nenhum. A
diferença entre o somático e o psíquico serve, na melhor das hipóteses, para o
âmbito em que um sintoma se manifesta, mas é inútil para localizar a doença .(...)
Desta forma, tentaremos desenvolver aqui uma visão unitária
da doença que, no máximo, use a distinção entre “somático” e “psíquico” para
referir-se ao nível primário em que um sintoma surge.(...)
(...)A cura acontece exclusivamente pela transmutação da
doença e nunca pela vitória sobre um sintoma, pois a cura pressupõe a
compreensão de que o ser humano se tornou mais
sadio, ou seja , um todo se tornou mais perfeito.(...)Quem entendeu nosso ponto de vista até aqui observará
agora que nossa crítica também atinge da mesma forma a terapia dita “natural”
tanto quanto a medicina acadêmica, pois também a ciência de cura natural tenta
alcançar sua meta através de medidas funcionais; também ela tenta impedir a
doença e fala de um estilo de vida
saudável. A palavra saúde e a filosofia subjacente são as mesmas empregadas
pela medicina acadêmica; o que acontece é que os métodos são um tanto menos tóxicos e mais naturais.(A homeopatia representa uma exceção, pois
não pertence nem à medicina acadêmica, nem à ciência natural da cura.)(grifo
meu) (DETHLEFSEN & DAHLKE,2000).
Nosso propósito, nesta
monografia, se concentra no aspecto mental, compreendido amplamente, segundo a
Homeopatia, como aspectos emocionais, intelectivos e volitivos, com a busca de
sintomas que tracem um quadro da totalidade sintomática do paciente em
Odontologia, para melhor compreensão , através da modalização dos sintomas de
seu modo único, individualizado de adoecer. Esta abordagem holística do ser
humano enriquece sobremaneira a Odontologia, e quando incorporada à sua arte de
curar torna-a re-humanizada e digna de
seus mais altos fins existenciais, quais sejam a promoção da saúde bucal e o
respeito à totalidade do ser humano, como
expressa Renée Weber:
“Totalidade é uma força viva que une a todos os seres e
consciência é a natureza primária da realidade...Neste caso , matéria e
consciência são apenas duas expressões de uma realidade contínua. Diferem, na
melhor das hipóteses, em grau e função, mas não em espécie... Na verdade, a
presente visão é diametralmente oposta à cartesiana-skineriana, uma vez que a
unidade interconectada aqui manifestada é uma força viva que une todos os
seres através da integração, não da redução.(Weber, 1975)... Matéria e energia são
equivalentes, duas facetas intercambiáveis de uma mesma base, como Einstein,
repetindo os antigos metafísicos, iria sustentar em nossa própria era. O
Universo, longe de ser uma máquina ou um composto de partículas atômicas,
separadas e aleatórias, segundo o fisicalismo, é, na verdade, um todo integral,
no qual todas as partes - profundamente interligadas nesse oceano de unidade –
inter-relacionam-se diretamente, exercendo influência e interdependência mútuas
em todas as direções e dimensões, como no caso de qualquer organismo
vivo.(WEBER; compilado por KUNZ, 1995)
Evidentemente, a grande contribuição da
Homeopatia em Odontologia é a visão da
consciência como geradora da Saúde e da Doença, sendo os sintomas uma tentativa
de cura desta mesma consciência, em sua busca de Harmonia e Inteireza.
O que nos importa resgatar para a
Odontologia é justamente esta visão de Inteireza, que tem como corolário o
primeiro princípio de Hipócrates: “ Primum non nocere”, isto é, neste caso, não
cortar o Ser, não fragmentá-lo por meio de técnicas invasivas e reducionistas, como se lê no brado de alerta de Hugo
Rossetti:
“ Se, em todas as profissões, os homens forem
cortados, o universo ficará sem eles. Ou , o que é pior, haverá apenas homens
fragmentados.
Em
1974, eu dizia aos meus alunos e nas conferências que fazia: “não cortem mais o homem, deixem que as
bactérias façam isto; não se comportem como elas, destruindo as pessoas.”(...)
Conto isso não como uma história qualquer, estou lhe mostrando coisas que terá
que suportar - e há piores – porque a ciência está fragmentando muito o homem
e, por conseguinte, fragmenta os homens que lutam para defendê-lo em seu
hábitat, em sua família, suas plantas, seu povo.(...) Meu tio foi o único
dentista de uma pequena comunidade durante 30 anos: (...) Meu tio estava
orgulhoso de sua profissão, de suas lutas, de suas técnicas, de sua vida. Ele
apenas não se dava conta de que havia criado doença na população e a mantinha.
Foi um doutor que lutou pela doença e para a doença. Para a qual se fechava no
consultório 8 horas por dia a sofrer com sua gente, a compartilhar tensões e
medos”. (ROSSETTI, 1999)
Porque
esta unidade que é o ser humano é
extremamente sutil, delicadamente harmônica, totalmente indivísivel e
sempre reage em sua integralidade como alertam os homeopatas Jonas e Jacob:
“Toda terapia, seja ela convencional ou
alternativa, é holística no sentido de que a pessoa como um todo sempre reage.
Qualquer intervenção, seja ela um medicamento, cirurgia, psicoterapia ou
mudança comportamental, tem efeitos no corpo ou na mente como um todo. A
diferença entre as terapias repousa apenas em qual parte desse efeito global
foi avaliada e utilizada...A homeopatia usa os efeitos de um medicamento para
intensificar os esforços de cura do corpo. Parte do princípio de que um
medicamento pode ser útil quando é apropriadamente adequado ao paciente como um
todo, em vez de adequar-se apenas ao diagnóstico. Quanto mais detalhada e
“individualizada” for essa adequação, maior a chance de a pessoa ter uma reação
curativa eficaz e duradoura. Em outras
palavras, a homeopatia trata dos
sintomas completos do paciente(grifo meu) em vez de tratar apenas de um
resfriado, enxaqueca ou dor nas costas,”(
JONAS & JACOBS, 1998.)
Portanto
a grande contribuição da Homeopatia para a Odontologia centra-se justamente
nesta compreensão de Unidade, de Totalidade; infelizmente, ainda hoje, muito
mais retórica que incorporada aos paradigmas de ensino e clínica odontológicos.
E, aí nossa crítica estende-se mesmo aos modelos chamados contra-hegemônicos,
que ao referenciarem-se em paradigmas das ciências sociais, partem de
concepções sociológicas, econômicas e políticas que não apresentam eficácia
diante dos modelos que buscam superar, justamente pela sua visão determinista e
materialista de história, gerando ainda mais dependência do complexo industrial
de medicina e da tecnocracia, em outras palavras medicalização da sociedade e
iatrogêneses estruturais, como denuncia Ivan Illich:
“Não é mais possível deixar de perceber o contraste entre a saúde pretensamente
objetiva e a saúde subjetiva. O que se observa? Quanto maior a oferta de
"saúde", mais as pessoas respondem que têm probl
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Como citação final encontramos na tese de
Lethuaire, com a qual iniciamos a
revisão bibliográfica, esta lúcida
declaração de propósitos, para a Homeopatia em Odontologia, que fecha nosso ciclo, confirmando a máxima
hermética de que o fim é um novo começo:
“Nosso
intuito fundamental é primeiro
bem COMPREENDER NOSSOS PACIENTES,
ouvir, memorizar o relato, a expressão de suas perturbações locais e gerais,
através de uma linguagem que lhes é bem pessoal.
Em
seguida aliviá-los e curá-los com o auxílio
de nossas poderosas dinamizações
infinitesimais! Um só remédio ao mesmo tempo (várias doses a serem repetidas no estado agudo) receitado segundo a
lei de semelhança e cuja ação medicamentosa primária, provoca no doente uma
reação secundária curativa, restabelecendo assim o equilíbrio psico-biológico
perturbado momentaneamente.”
Na mesma tese, em seu preâmbulo, Lethuaire
enfatiza os fatores psicológicos para problematizar a abordagem mecanicista da
dor:
“Não há doentes imaginários, há apenas homens
sofredores, afirmam alguns psicólogos.
A dor não é o que se acreditava: é o que
se depreende de um dos numerosos trabalhos apresentados no decorrer de um
simpósio internacional sobre a dor, na faculdade de ciência de Paris.
O
Pr. Melzak de Montreal ( Canadá) havia com efeito sustentado que o ensino
clássico dos mecanismos da dor ( o homem provido de fibras específicas para o
calor, o frio, o tato, o sofrimento) estava completamente ultrapassado.
Fatores psicológicos intervêm, cujo papel
misterioso foi até agora desprezado.
(grifo meu)
Para
estudar e combater a dor no animal, e,
a mais forte razão, no ser humano, é preciso considerar o psiquismo. As reações
à dor, isto é, a integração desta na unidade do indivíduo, a expressão de seu
sofrimento, devem ser apreciadas e tomadas em consideração.
Após
13 anos de prática homeopática,
julgamos que esta disciplina médica nos permitiu
compreender melhor a dor, fenômeno muito subjetivo de ressonância psicológica
muitas vezes profunda, (grifo meu) e sobretudo tratar nossos pacientes com
o auxílio de medicamentos não-tóxicos, oriundos de uma experimentação humana,
controlados por experiências de laboratório efetuadas em animais e vegetais, e
finalmente prescritos segundo uma lei: A LEI DOS SEMELHANTES.( LETHUAIRE &
LETHUAIRE,1979)
4 CONCLUSÃO
Concluindo nosso
trabalho, reafirmamos que as obras e autores supra-citados dão um importante
primeiro passo na elaboração de um paradigma de saúde bucal que se adeqüe a
visão holística da saúde, já que se situam dentro de princípios e teses da
homeopatia clássica., principalmente no que tange à totalidade sintomática, com
alta hierarquia dos sintomas mentais. Concluí-se, também, que se faz urgente
novas obras que saiam das declarações de princípios formais e contemplem este
novo modelo a partir uma transformação de percepções e cognições
sobre as interrelações da boca e dentes com a totalidade do ser humano, e deste
com o universo.
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Integradora. 2ª Ed. São Paulo,1992.